ENTRE EM CONTATO:

igrejaluterana@gmail.com

Deixe seu comentário: sugira, opine, participe!
Se algum post lhe ofende ou viola seus direitos autorais entre em contato.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CULTO DIA DAS CRIANÇAS

Muitos visitantes chegam a este Blog buscando ideias para o Culto de Dia das Crianças. Estou começando a organizar algum material e recursos visuais para disponibilizar aqui. Isto também poderá ser útil para meditações, devoções, reflexões e escola dominical.
Vou atualizando este post com material, na medida do possível:

sábado, 18 de setembro de 2010

PREENCHE O SER...

Em um mundo de tantos vazios, a oportunidade de conhecermos aquele que preenche o ser e dá sentido a existência...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O PAÍS MAIS FELIZ

Você sabe qual é o país em que moram as pessoas mais felizes do mundo? Fiz esta pergunta aos meus alunos de Ensino Religioso e a resposta que mais ouvi foi: Brasil

De fato, quando passa na televisão cenas de países onde as pessoas comem insetos, ou onde algum maluco entra armado em uma escola atirando em criancinhas, minha esposa costuma exclamar: - "Bom mesmo é o Brasil!"

Interessante esta constatação. Nós nos julgamos felizes. E Realmente não são muitos os brasileiros que trocariam sua pátria por alguma outra.

De qualquer forma, se você respondeu Brasil à pergunta: Qual o país onde moram as pessoas mais felizes do mundo? Você se enganou. Pelo menos é o que diz uma pesquisa realizada por cientistas da universidade de Leicester, no Reino unido, comentada aqui no Brasil pela Revista Época, de 21 de Maio de 2010.

Segundo a pesquisa, a Dinamarca é o país mais feliz do mundo.

Mas afinal, porque se chegou a esta conclusão. A Dinamarca não é nenhum paraíso tropical. Pelo contrário. Sua temperatura chega aos 20 graus abaixo de zero em seus longos invernos. É também o país com carga tributária recorde, maior do que 40%. Os dinamarqueses porém não estão insatisfeitos com isso: as ruas do país são limpas e seguras. A saúde é um direito de todos. De verdade. O governo investe 20% do seu PIB em saúde. Aqui no Brasil, para se ter uma ideia são apenas 4%. Nenhum dinamarquês fica penando em filas intermináveis para ser atendido. E a educação? É totalmente gratuita. Mesmo a faculdade. E durante os anos de escola, os jovens dinamarqueses recebem uma ajuda de custo do Estado. Quando começam a trabalhar, entram em programas de formação contínua. Estão constante reciclagem.

A Dinamarca tem outra peculiaridade interessante. Cerca de 87% de sua população é formada por cristãos luteranos. Sim, a Dinamarca é um país luterano. Não é um estado laico como o Brasil. A Igreja Luterana é a igreja oficial do país. Apesar de apenas 5% dos Dinamarqueses afirmarem que vão a igreja regularmente, a maioria, mesmo não frequentando os cultos, gosta de ser chamado de luterano e se considera como tal.

Com certeza, é desta tradição luterana que saiu o princípio que é considerado o principal responsável pela felicidade dos dinamarqueses: A máxima de que você não é melhor do que ninguém. Logo, igualmente, ninguém é melhor do que você.

Enquanto em nossa sociedade a educação está baseada em criar vencedores: a melhor média no ENEM, a primeiro lugar no vestibular, o campeão que passa em todos os concursos, etc. E consequentemente deixa para trás uma multidão de “perdedores”, na dinamarca não é bem assim. Os jovens são educados para um mundo inclusivo. Todos são bem preparados para o trabalho, o trabalho agrega todos, premia todos. Ninguém é melhor do que ninguém. Como Lutero gostava de lembrar: somos todos igualmente pecadores. E em Cristo todos igualmente perdoados por graça.

Ainda que pareça uma utopia nesta nossa sociedade tão competitiva, aqui no Colégio Concórdia, baseado em nossa Filosofia Luterana de Educação, tentamos colocar em prática este princípio que faz os dinamarqueses sorrirem e se considerarem tão felizes. Ninguém é melhor do que ninguém. Queremos crescer juntos, e se existem diferenças, e elas existem é claro, é para que possamos nos auxiliar mutuamente.

Se isto crescer e se multiplicar, talvez um dia iremos acertar ao dizer que o Brasil é o país mais feliz do mundo!

Talvez até nisto o exemplo venha de onde menos se espere:

Conta-se que há alguns anos atrás, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos.

Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto, caiu rolando e começou a chorar.

Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás.

Então eles viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar".

E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos ate a linha de chegada.

O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.

E as pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa historia ate hoje.

Porque? Por que, lá no fundo, nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. É isto que significa a palavra bíblica que diz: Em Cristo somos mais que vencedores. Vencer para o cristão é vencer junto e vencer pela fé. E saber que esta é a verdadeira vitória: Estar em Cristo, pertencer a ele e desejar que outros pertençam também.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cristianismo e Educação

Pastor Fernando E. Garske

Quando pensamos em educação frequentemente lembramos a vocação da Igreja Cristã para o ensino. Não é de hoje que cristãos criam e mantém escolas e Universidades.

Lembro isso porque tenho ouvido algumas pessoas afirmarem que “fé é coisa de gente sem instrução”. Alguns afirmam que, quanto menos conhecimento uma pessoa tem, mais ela estará disposta a crer em um deus.

Richard Dawkings, famoso pregador do ateísmo, disse que a falta de informação é que leva as pessoas a recorrer à fé religiosa. E é interessante como esta afirmativa de Dawkings é aceita por muitas pessoas. Lembro da minha juventude na escola quando entre os colegas existia a idéia de que os alunos mais espertos eram aqueles que se diziam ateus. E esta mentalidade ainda existe.

Muitas pessoas medíocres pensam ganhar um certificado de sabedoria apenas por afirmar que Deus não existe. Afinal, dizem, pessoas inteligentes não podem crer que o mundo foi criado em seis dias. Nem que a Bíblia é a Palavra inspirada por Deus e isenta de erros.

A expressão de Marx de que “a Religião é o ópio do povo”, continua a ser repetida de peito aberto. E com isso se insinua que o objetivo da fé é alienar as pessoas e torná-las ignorantes.

Podemos até concordar que o fanatismo religioso e as superstições escravizam e dominam. Religiões fanáticas e supersticiosas realmente não combinam e nem querem saber de ensino e conhecimento. Mas isto não tem nada a ver com a fé cristã. Pois esta, historicamente, tem demonstrado zelo e amor pela educação.

O próprio Jesus deu aos santos apóstolos a ordem de fazer discípulos batizando e ensinando. É claro que aqui se fala do ensino do Evangelho. Os pais eclesiásticos cedo introduziram na Igreja o sistema de catequese. Martinho Lutero, ao se defrontar com uma Alemanha de analfabetos, que por isso não podia ler a Bíblia, escreveu um tratado com o título: “Aos conselhos de todas as cidades da Alemanha, para que criem e mantenham escolas”. E aos pais desmotivados em enviar seus filhos à escola escreve: “Uma prédica para que se mandem os filhos à escola”. Estes escritos estão no volume 5 das Obras Selecionadas de Lutero, em língua portuguesa.

Além disto, gostaria de dividir com os leitores um pouco da história da criação de uma pequena escola: Apenas seis anos após a chegada dos cristãos puritanos a Massachusets, nos Estados Unidos, a Corte Geral daquela colônia aprovou investir algum dinheiro para a criação de uma escola. Mas não era suficiente. Foi então que o pastor John Harvard fez uma doação de cerca de 800 libras. Isto era a metade de tudo o que ele tinha. Doou também livros que somavam cerca de 260 títulos. Uma verdadeira Biblioteca. E o Colégio foi criado em 1636 na vila de New Town. Após a morte do pastor a escola passou a ser chamada com o seu nome e até hoje ela existe sendo conhecida como Universidade de Harvard (A melhor universidade do mundo). Sim, a melhor universidade do mundo foi fundada por cristãos com o objetivo de dar ensino cristão aos jovens.

A própria pedagogia moderna também mistura a sua história com a história da igreja. O pai da pedagogia moderna “Comenius” era um dedicado pastor que acreditava na educação. No século 17, Comenius escreve “Didática Magna” onde defendia que educar era ensinar “tudo a todos”. Lançou assim os pilares do ensino obrigatório tanto a meninos quanto a meninas, sistematizou a educação e defendeu a criação de escolas atraentes, que incluíssem recreação e o lazer aos alunos.

Olhando para a história da Igreja Cristã somos convencidos que a afirmação do ateu Richard Dawkings é enganosa. O cristianismo não se apóia na ignorância, mas promove e incentiva o ensino e o crescimento.

Conforme o grande amigo de Lutero, Felipe Melanchton, disse certa vez: “A ignorância é a maior adversária da fé, e, por isso, ela deve ser combatida”. Esta é a razão pela qual, como Igreja insistimos em manter escolas cristãs. Está em nosso coração esta vocação pelo ensino, este amor pela educação. Especialmente a educação que leva aos jovens o conhecimento do Salvador Jesus Cristo. Igreja e escola – tudo a ver.

ÉTICA CRISTÃ

Pastor Fernando Garske

“Mas se o cristão é salvo pela fé, então está tudo tranquilo, posso fazer o que eu quiser e não preciso mais me preocupar em fazer o bem”. Este argumento é ouvido ainda hoje em debates e rodas de conversa quando se fala sobre a Igreja Luterana e a doutrina bíblica da Justificação pela Fé. Para o ser humano natural nada parece mais difícil do que a prática do bem quando esta não é legislada e imposta.

Não era diferente no século XVI, nos dias da Reforma. Boas ações, ou boas obras, eram prescritas e regulamentadas pela Igreja. Incontáveis eram as leis, os rituais, as peregrinações, os jejuns, etc. A motivação era o medo do inferno e o desejo de conquistar um lugar no paraíso. Para satisfazer estas inquietações, a Igreja Romana tinha elaborado no decorrer dos séculos um sistema complexo, funcional e muito lucrativo. Vendia-se missas e indulgências. Oferecia-se relíquias e peregrinações. Negociava-se, como concessão, bispados e arcebispados onde pessoas, com pouca ou nenhuma formação teológica, dedicavam-se a explorar estas coisas.

Por isso, a doutrina luterana da Justificação pela Fé não era apenas mais um dogma religioso, e sim algo que colocava em xeque todo este sistema. A difusão das ideias de Lutero não causava apenas um “problema” religioso, mas também econômico.

Não tardou para que o Reformador fosse acusado de ter “abolido as boas obras”. Para os adversários da Reforma, o Sola Fide era uma ideia caótica. Se as boas obras não eram necessárias para a salvação e não concediam méritos, por que as pessoas as praticariam? Lutero resalta que, de tudo o que ele ensinava, “a maior das questões foi levantada justamente em torno das boas obras” .

No ano de 1520, cumprindo promessa feita de escrever algo sobre o assunto, Lutero publica o pequeno livro “Das Boas Obras”, dedicado a João da Saxônia, irmão do eleitor Frederico, o Sábio. Este escrito é a resposta de Lutero a crítica de que o ensino evangélico teria como consequência o relaxamento moral da sociedade. Nele, Lutero argumenta que embora as Boas Obras não sejam necessárias para a salvação, elas são uma consequência natural da fé e estão sempre ligadas a ela. Por isso, onde há a fé também existirão as verdadeiras “boas obras”.

Nesta, que Lutero considerou sua melhor obra até então, ele expõe um resumo da vida cristã a partir da fé, coerente com a verdade bíblica da Justificação pela Fé somente. Por isso Lutero coloca a fé como a primeira e mais importante obra, pois é obra divina em nós, e salienta que todas as outras são realizadas a partir dela. É a fé que torna as boas obras agradáveis a Deus e por isso elas devem ser feitas em fé. Disto resulta que toda ação feita na dúvida sobre se agrada a Deus não passa de pecado:

“Todas estas obras acontecem fora da fé. Por isso nada são e estão completamente mortas” .

“Se não há confiança ou existe dúvida de que a obra agrada a Deus, então a obra não é boa” .

Apesar de utilizar os Dez Mandamentos para estruturar seu trabalho, o tema principal de todo o escrito foca na vida cristã em sua relação com a fé no Senhor Jesus. Para Lutero, “quem quiser conhecer e praticar boas obras não precisa conhecer senão o mandamento de Deus” . E deles concluímos que “presta-se serviço a Deus com tudo quanto pode ser feito, dito e pensado na fé” . Assim, “tudo o que eles (cristãos) fazem tem que ser bom, ou será prontamente perdoado o que fizeram de mal” .

Não há a necessidade portanto de a igreja preocupar-se em legislar ou estabelecer novas obras. Só o primeiro mandamento já exige mais do que poderíamos realizar. “Portanto, um cristão que vive nessa fé não precisa de um mestre de boas obras. Mas ele faz aquilo que lhe é apresentado, e está tudo bem feito... ” Na verdade, “a fé precisa ser mestre de obras e capitão em todas as obras, ou então elas nada serão” .

A consequência de toda esta reflexão é que está desfeito o conceito de obras meritórias. As boas ações não são praticadas para se obter de Deus algum benefício, mas o cristão “serve a Deus de forma puramente gratuita, satisfeito em agradar a Deus” .

Por tratar de um problema fruto da natureza humana, que é sempre a mesma, o escrito “Das Boas Obras” continua atualíssimo. Mais do que nunca, em nossos dias, grande parte das pessoas procuram se relacionar com Deus tendo como ponto de partida suas próprias ações em detrimento da ações de Deus por ela.

Mesmo dentro da Igreja Luterana não é rara a tentativa de julgar o relacionamento de um cristão com Deus baseando-se nas suas ações dentro da estrutura da igreja. Cristão verdadeiro e consagrado, para muitos, é aquele que se envolve em comissões e departamentos, que exerce liderança e participa de reuniões.

Também nós criamos nossas leis, nossas obras prediletas, e somos tentados a classificar os irmãos baseados nestas leis.

O escrito luterano em pauta é atualíssimo porque nos ajuda a não cairmos neste erro. Exalta entre nós a vida comum, vivida na fé, alimentada pela Palavra e Sacramentos, que faz o que agrada a Deus no lugar e no momento em que está, com o que lhe é apresentado.

Alguns pastores costumam dizer corretamente que o culto a Deus não é concluído no término do culto dominical. Mas continua ao sairmos da igreja, em nosso relacionamento com as pessoas que nos cercam e com nossa família. E este “serviço” é infinitamente menor do que o grande serviço realizado por Cristo a nós quando realizou a nossa salvação. Portanto, não há sentido em classificar os irmãos, afinal, mesmo nossas “grandes obras” não se comparam com aquela que Cristo realizou igualmente para todos.

Em uma Escola Cristã, “Das Boas Obras” também encontra seu lugar. Visto que nela direcionamos os jovens em suas vocações, é fundamental reforçar que justamente nestas vocações eles terão a oportunidade de servir o Senhor do Universo, se estiverem na fé. E ao adentrar um mercado de trabalho voraz e competitivo, terão a oportunidade de lembrar que no projeto de Deus, exercer a vocação é um direito de todos, e que pela fé, Deus se agrada de cada ato exercido dentro dela.

O escrito “Das Boas Obras” integra o volume dois das Obras Selecionadas de Lutero em português. Devido a sua importância e atualidade, foi reimpresso como livro separado e está disponível em português sob o título “Ética Cristã”. Está a disposição da sociedade para que as pessoas aprendam um cristianismo bíblico que, dentro de muitos círculos, ainda é uma desconhecida novidade. Está aí para quebrar conceitos e paradigmas, para exaltar a fé e mostrar ao mundo que Deus, em Cristo, nos ama como somos e aceita nossas ações, feitas na fé, como um perfume suave dedicado a ele.

Clique para adquirir o livro.

Google