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quinta-feira, 19 de junho de 2008

MILAGRES

Retirado do Comentário de Kretzmann ao Evangelho de Mateus
A crença singela nos milagres da Bíblia, a muito, foi declarada impossível, nas condições modernas. Os milagres caracterizaram os primeiros séculos da igreja cristã. Durante a idade média a fé neles foi expandida, de modo análogo, à credulidade que colocou os assim chamados atos dos santos, que foram invenções espúrias duma época supersticiosa, no nível dos grandes feitos de Deus. Os inimigos da Bíblia,começando uns três séculos atrás, têm-se mostrado sempre mais ativos, até aos nossos dias, tanto dentro como fora da igreja, para descartar o elemento miraculoso da Bíblia.
As objeções contra os relatos de milagres da Bíblia, e por isso aos próprios milagres, pode ser dividido em duas classes – a radical e a conservadora. A primeira classe nega totalmente a possibilidade de milagres, sem dar justificativa ou defesa. Tem sido afirmado que milagres são violações às leis da natureza, ainda que a afirmação concede a existência dum autor das leis que
tem também o direito de suspendê-las, bem como para fazer que sejam indiscutíveis. Declara-se
que milagres estão excluídos pela harmonia da natureza, ainda que a experiência em si seja alterável e indefinida. Os críticos disseram que a mente humana se afasta dos milagres, que o corpo inteiro das ciências modernas se dobra diante do fato enorme que o sobrenatural não existe. As estórias miraculosas, diz-se, que são criações duma era crédula e supersticiosa. Argumenta-se que não é preciso um esforço mental para tirar o elemento miraculoso do Novo Testamento. Os assim chamados eruditos “examinaram, com espírito científico, nossa Bíblia, e em cada passo acharam o relato de milagres como mítico ou lendário, como fato que não pode ser crido... Eles acreditam que milagres não acontecem, que nunca aconteceram, e que jamais acontecerão... O elemento miraculoso, assim se o mantém mais e mais, é o acompanhamento constante e supersticioso de todo e qualquer movimento religioso dos tempos antigos”91. Certo crítico pergunta, com referência à ressurreição de Cristo: “É, acaso, o testemunho suficiente para mostrar que um homem realmente morto... tornou à vida, passou por portas fechadas e ascendeu ao céu?” E acrescenta: “Não posso falar por outros, mas absolutamente, não posso, com estas evidências, crer tais fatos monstruosos”92.
A classe de críticos conservadores desejam salvar a Bíblia, que afirmam ser aqueles restos dos quais concedem serem verdadeiros, argumentando que milagres não precisam ser cridos, e que eles não são necessários para a verdade das Escrituras e da fé cristã. A maioria dos milagres do Antigo Testamento são negados, afirmando que eles são meros adornos poéticos e que não possuem qualquer conecção essencial com o fato. Dizem eles, que pode acontecer que tenhamos os milagres do Senhor sem ter o próprio Senhor. Acaso, não segue disso que possamos perder os
milagres do Senhor, e, ainda assim, reter a ele? É afirmado abertamente que o defensor de hoje tem algum interesse em minimizar o miraculoso dos milagres e em fazê-los parecer tão naturais quanto possível. O humor atual do público religioso gostaria de naturalizar não só os milagres, mas todo o mundo espiritual.93
Tendo estes fatos em vista, é essencial que, antes de tudo, saibamos o que é um milagre. A definição seguinte é aceita em geral: “Um milagre é um acontecimento revelado aos sentidos, onde há a presença dum poder pessoal que está acima do plano físico e humano, que atua para uma finalidade moral”. Com esta explicação, que inclui milagres, sinais e maravilhas, nos é possível dividi-los em três classes. Há os milagres da revelação constante de Deus na natureza e história, que são as muitas evidências de sua intervenção sobrenatural. Há os milagres ou ocorrências dentro do curso comum da natureza, que a força e o saber humano, conduto, não conseguem realizar, sem o poder criativo e providencial de Deus, que incluem todas as mudanças fisiológicas adequadas ao viver nos organismos vivos. Há os milagres ou fenômenos fora do curso da natureza e das leis estabelecidas, realizados por uma suspensão proposital da ordem física do universo, que incluem tanto os milagres da Escritura e os muitos casos de preservação sobrenatural.
Negar a existência de milagres na natureza que nos cerca, é negar a evidência de todas as percepções e o resultado de séculos de pesquisa. Por outro, negar os milagres da Escritura é negar a veracidade de todo o relato bíblico, pois é impossível separar o miraculoso da religião cristã, porque a religião toda é um milagre. Que o Antigo Testamento contém só poucas histórias
milagrosas, e que estas estão confinadas ao Êxodo e às vidas de Elias e Eliseu, como foi afirmado,
é, manifesto, tão inverossímil que uma única referência da Bíblia basta como refutação. Separar o
elemento miraculoso dos relatos do evangelho, é tirar a essência da narrativa do evangelho. Os milagres de Jesus foram selos e credenciais, porque foram sinais e características essenciais de sua missão. Caso removermos todas as referências a milagres, jaz perante nós um evangelho em ruínas.
Quanto à necessidade de milagres, e o fato que o Senhor assim achou necessário, devia bastar como justificativa de terem acontecido. O evangelho surgiu do ver milagres e é um registro e exposição desses fatos. Se a ressurreição de Jesus tiver sido uma ilusão, teria tido vida muito breve e participado do fato de todas as ilusões. E todos os demais milagres são críveis, porque estão associados com o milagre da ressurreição. A religião foi introduzida por meio do miraculoso entre os inimigos. Desta forma os milagres são o sinal e selo da aprovação divina. Deus não teria sancionado tais acontecimentos se tivessem sido mentira. Nenhum mágico poderia realizá-los. Os milagres foram feitos em defesa duma religião da justiça mais perfeita e da verdade universal, para que persista para sempre para mostrar o favor da beleza moral imaculada da Cristo e da vocação divina dos seus discípulos. É suficiente que nós saibamos, que Ele, por meio deles, revelou sua glória, Jo.1.14; 2.11, e que os milagres do Novo Testamento foram registrados para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, crendo, tenhamos vida em seu nome, Jo.20.31.94
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91 ) Goordon, G. A, Religion and Miracle, 23,45.
92 ) Parker, citado em Bruce, The Miraculous Element in the Gospel, 21.
93 ) Bruce, 1.c., 34,44.
94 ) Cf. Linberg,C.E., Apologetics, 80-83, 165; Jefferson, C.E., Things Fundamental, cap.VIII; Garvie, A.e., A Handbook of Apologetics, cap. III; Whately, R., Introductory Lessons on Morals and Christian Evidences, lição V-VIII; Mullins, E.Y., Why is Christianity True? Cap.XII; Benson, Chr., On Evidences of Christianity, Disc.VIII; Brace, C.L., Gesta Christi.

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